1. Assinatura de Fernando Pessoa.
Fernando Pessoa foi um dos maiores poetas mundiais no início do Século XX, tendo-se destacado pela invenção de inúmeras personagens literárias, ou heterónimos, entre os quais os mais famosos foram Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
Infância e Juventude
A "Idade de Ouro" e o "Período da Cisão"
Fernando Pessoa nasceu em Lisboa, no Largo de São Carlos, 4.º Esquerdo, entre um teatro lírico e uma igreja, no dia 13 de Junho de 1888. Os seus pais pertenciam à classe média alta Lisboeta e viviam com eles a sua avó Dionísia e duas criadas, Joana e Emília.
A infância de Pessoa é apelidada muitas das vezes como um "período de ouro", pelo menos até aos 5 anos, pois é nesta idade que começam as mudanças traumáticas para a família Pessoa. O pai de Fernando, Joaquim, morre de tuberculose em 1893 e a família muda-se para uma casa mais pequena e menos burguesa.
É precisamente em 1894 (Pessoa tem 6 anos) que sabemos da criação do primeiro heterónimo - Chevalier de Pas (cavaleiro do nada). Portanto será este período 1893-1894 o período de "cisão da personalidade", marcado pela morte do pai e do seu irmão Jorge que nem tinha ainda um ano de vida. Presumivelmente por estratégia de protecção contra factores que não conseguia controlar, o sensível Fernando fechou-se para dentro e multiplicou a sua personalidade para defender a unidade central da mesma. Como alguns estudiosos indicam, esta cisão da personalidade dá-se no âmbito de uma aceitação da morte (thanatos) enquanto maneira de viver a vida: isto explicaria também o nome do primeiro heterónimo, baseado num nada, num vazio.
A infância de Pessoa é apelidada muitas das vezes como um "período de ouro", pelo menos até aos 5 anos, pois é nesta idade que começam as mudanças traumáticas para a família Pessoa. O pai de Fernando, Joaquim, morre de tuberculose em 1893 e a família muda-se para uma casa mais pequena e menos burguesa.
É precisamente em 1894 (Pessoa tem 6 anos) que sabemos da criação do primeiro heterónimo - Chevalier de Pas (cavaleiro do nada). Portanto será este período 1893-1894 o período de "cisão da personalidade", marcado pela morte do pai e do seu irmão Jorge que nem tinha ainda um ano de vida. Presumivelmente por estratégia de protecção contra factores que não conseguia controlar, o sensível Fernando fechou-se para dentro e multiplicou a sua personalidade para defender a unidade central da mesma. Como alguns estudiosos indicam, esta cisão da personalidade dá-se no âmbito de uma aceitação da morte (thanatos) enquanto maneira de viver a vida: isto explicaria também o nome do primeiro heterónimo, baseado num nada, num vazio.
Memórias da Infância
Pessoa terá sempre (como peso constante e alívio momentâneo) as memórias daqueles seus primeiros 5 anos. Não são saudades - é Pessoa que o diz - mas "atitudes literárias, sentidas intensamente por instinto dramático". Claro que seria demasiado doloroso assumir que seriam saudades: a racionalização será sempre uma forte arma contra a dor, embora débil a longo prazo.
Saudade ou não, no poema «Chuva Oblíqua» Pessoa lembra-se e escreve:
Saudade ou não, no poema «Chuva Oblíqua» Pessoa lembra-se e escreve:
O maestro sacode a batuta,
A lânguida e triste a música rompe ...
Lembra-me a minha infância, aquele dia
Em que eu brincava ao pé dum muro de quintal
Atirando-lhe com, uma bola que tinha dum lado
O deslizar dum cão verde, e do outro lado
Um cavalo azul a correr com um jockey amarelo ...
(...)
Todo o teatro é o meu quintal, a minha infância
Está em todos os lugares e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)
Está em todos os lugares e a bola vem a tocar música,
Uma música triste e vaga que passeia no meu quintal
Vestida de cão verde tornando-se jockey amarelo...
(Tão rápida gira a bola entre mim e os músicos...)
Mudança para Durban
Em 1895 a mãe de Pessoa casa com o comandante João Miguel Rosa, cônsul português em Durban, que conhecera um ano antes. Em 1896 a família viaja para a África do Sul. As viagens de barco marcarão o pequeno Fernando, que mais tarde - por Álvaro de Campos - as lembrará de modo ora dormente, ora violento.
A expressão das poucas fotografias de Pessoa em Durban dizem tudo: a cara fechada, o corpo magro e a linguagem corporal inflectida mostram um jovem com medo de se afirmar, que provavelmente põe na escrita a única esperança na sua salvação.
A frequência da escola, na Durban High School apresentam-no a um sistema de ensino fortemente influenciado pela matriz Britânica - insistência em autores clássicos, na disciplina e na boa forma física. Pessoa permanece na África do Sul até 1905 (terá então 17 anos).
A expressão das poucas fotografias de Pessoa em Durban dizem tudo: a cara fechada, o corpo magro e a linguagem corporal inflectida mostram um jovem com medo de se afirmar, que provavelmente põe na escrita a única esperança na sua salvação.
A frequência da escola, na Durban High School apresentam-no a um sistema de ensino fortemente influenciado pela matriz Britânica - insistência em autores clássicos, na disciplina e na boa forma física. Pessoa permanece na África do Sul até 1905 (terá então 17 anos).
Adolescência
Um Inglês em Portugal ou um Português Inglesado?
Dia 28 de Agosto de 1905 Pessoa regressa sozinho a Lisboa, para estudar na Faculdade de Letras de Lisboa, falhado que fora o ingresso no ensino superior Britânico. Chega com a formação secundária completa e com formação adicional numa escola comercial, por insistência (diz-se) do Padrasto.
O regresso é para a casa da Tia Anica, irmã da sua mãe. Entre 1906 e 1907 estuda filosofia na Universidade, com a esperança familiar posta no ingresso na função pública, mas rapidamente perde a motivação, sobretudo devido à carga das obrigações que sente serem demasiadas para alguém sem regras para a criatividade. Acaba por desistir da Faculdade, para grande desgosto da sua família.
Pessoa cultiva ainda o seu Inglês e escreve em Inglês. Em virtude da sua formação comercial, trabalha como correspondente comercial em casas de comércio, traduzindo correspondência para e de Francês e Inglês. Mas lentamente Pessoa é introduzido aos autores Portugueses - muito por influência do General Henrique Rosa, irmão do seu padrasto, com quem priva desde o regresso a Lisboa.
Henrique Rosa é um dandy adoentado, poeta, anti-monárquico e anti-clerical, possuidor de vasta cultura filosófica e ocultista. Terá sido ele quem mais marcou Pessoa nesta etapa da sua jovem vida, conduzindo-o para a aventura de começar a escrever em Português (incluindo experiências misteriosas no jornal O Pimpão).
O assassinato de D. Carlos em 1908 marca igualmente o ano do contacto com Cesário Verde e outros autores. Pessoa começa a assumir a sua "nacionalidade" na escrita.
Idade Adulta
A estreia literária
Pessoa liga-se ao movimento da Renascença Portuguesa, ligado ao saudosismo. Publica na Revista Águia vários artigos, nos quais referencia pela primeira vez o conceito do "Super-Camões". Em Abril de 1912 regista-se a sua estreia literária (pelo menos oficial, porque já tinha publicado antes, artigos menores), com o artigo "A Nova Poesia Portuguesa Sociologicamente Considerada". Pessoa tem 24 anos.
O seu artigo levanta polémica, porventura por conter as opiniões de um "estrangeiro", com uma visão fresca da realidade nacional, iminentemente estagnada.
Os anos seguintes são de intensa criatividade e tertúlia com um crescente número de "amigos" literários, nos frequentes ajuntamentos em cafés e cervejarias espalhados por Lisboa, onde se destacam, no entanto, A Brasileira, a Jansen ou o Martinho da Arcada.
O Dia Triunfal
Dia 8 de Março de 1914. Pessoa ter-se-á chegado à sua cómoda alta e inventado os heterónimos na sua forma definitiva. Rompe com a Renascença Portuguesa - este facto estará intimamente relacionado com o aparecimento sobretudo de Caeiro, que é anti-saudosista.
Mas a data é uma farsa, bem ao gosto de Pessoa. Ou pelo menos, meia-farsa. Os estudiosos perante análise do espólio encontraram versões preparatórias dos poemas, que servem de prova definitiva contra a versão da génese espontânea do Guardador de Rebanhos. Surge a hipótese do Dia Triunfal ter sido escolhido devido à sua importância astrológica - Pessoa escolheu o dia simbolicamente.
A Geração de Orpheu
Em Março de 1915, a Revista Orpheu reune todas as esperanças de Pessoa na mudança cultural do país. Em apenas 2 números a polémica assinala o aparecimento do Modernismo em Portugal.
1918: Pessoa publica dois volumes em Inglês, Antinoous e 35 Sonnets. Mas a sua escrita em Inglês não entusiasma. Parece que finalmente o poeta resolve o seu conflito interior de nacionalidade da sua escrita. English Poems I e II têm similar recepção, em 1920.
1918: Pessoa publica dois volumes em Inglês, Antinoous e 35 Sonnets. Mas a sua escrita em Inglês não entusiasma. Parece que finalmente o poeta resolve o seu conflito interior de nacionalidade da sua escrita. English Poems I e II têm similar recepção, em 1920.
Ophélia Queiroz (Eros)
9. Ophélia
Em Fevereiro de 1920 Pessoa conhece o seu único interesse amoroso que nos chegou documentado (embora tenha existido pelo menos um outro suspeitado, com uma vizinha). A relação de Pessoa com Ophélia (12 anos mais nova que Pessoa) é turbulenta e Pessoa mostra laivos de intranquilidade com a proximidade desta figura feminina, muitas vezes tornando em símbolo a sua presença. Esta primeira fase do namoro dura 9 meses.
As cartas de amor que nos chegaram mostram um Pessoa algo distante e por vezes patético, embora ternurento. Sobretudo passa uma sensação um homem confuso e inseguro, que se pretende proteger quando simultâneamente procura a proximidade de uma mulher. Ophélia porventura desconhecia (e não estava preparada) para a difícil missão de recuperar Pessoa da morte e isso é evidente em muitas das suas respostas. E a luta entre Eros e Thanatos é uma luta decisiva para Pessoa, não tanto para Ophélia.
Últimos Anos
Aleister Crowley (Thanatos)
Pessoa interessava-se pelo menos desde 1905 pelo ocultismo. Mas em 1930 o seu interesse materializa-se numa visita inesperada a Portugal do mago mais famoso do mundo na altura, Aleister Crowley. Com ele vem uma misteriosa Miss Jaeger, que encanta Pessoa pela sua beleza. Lembremos que Pessoa nesta altura tinha reatado com Ophélia...
A relação com Ophélia termina definitivamente em 1931. Crowley saíra do país em 1930, entre suspeitas de um suicídio forjado. Pessoa entra num desespero de solidão, refugiando-se por vezes com os familiares no Estoril. Pensa mesmo arranjar um emprego na biblioteca Castro Guimarães em Cascais, mas falha.
A sua crise leva-o a um grande período criativo. Prepara a Mensagem para publicação em 1934, em virtude de ter ganho um prémio na segunda categoria, promovido pelo SPN.
O Último Ano
1935. Pessoa, segundo um horóscopo anterior pensava ter mais 2 anos de vida. Errara. Este será o seu último ano. As suas crises hepáticas pioram e a organização da sua obra (que planeara para 2 anos) fica suspensa quando é internado no hospital de S. Luis dos Franceses no dia 29 de Novembro.
Morre dia 30, pedindo os óculos.
Luís de Montalvor, amigo e poeta diz as últimas palavras no seu funeral, entre as quais destaco:
"Duas palavras sobre o trânsito mortal de Fernando Pessoa.
Para ele chegam duas palavras, ou nenhumas. Preferível fora o silêncio, o silêncio que já o envolve a ele e a nós, que é da estatura do seu espírito."
© omj 2008.













JorgeAntropólogo
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